Moro quer replicar no PR programa que Bolsonaro esvaziou
Ex-ministro da Justiça quer usar forças-tarefa integradas para combater facções no Paraná, repetindo ideia que não vingou no governo Bolsonaro.
O senador Sergio Moro (PL-PR), candidato ao Governo do Paraná, promete retomar no estado a espinha dorsal de um dos principais programas de segurança pública que lançou quando era ministro da Justiça de Jair Bolsonaro.
O programa federal, porém, nunca foi priorizado por Bolsonaro e acabou esvaziado em meio a uma relação que foi se deteriorando até o rompimento e a saída de Moro do governo, em abril de 2020.
Hoje Moro está reconciliado ao bolsonarismo, inclusive disputando o governo pelo partido do ex-presidente da República.
O “Em Frente Brasil” reunia em forças-tarefas diferentes órgãos federais, estaduais e municipais para atuar de forma integrada em policiamento, inteligência, investigação e perícia nas cidades de Ananindeua (PA), Paulista (PE), Cariacica (ES), Goiânia (GO) e São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.
Cada uma das 5 cidades que participaram desse projeto-piloto recebeu inicialmente cerca de cem integrantes da Força Nacional. A segunda etapa deveria envolver mais de dez ministérios em ações de educação, saúde, assistência social, esporte, infraestrutura, emprego e outras áreas.
A ideia de Moro era usar as cinco cidades como laboratório e, caso o modelo funcionasse, expandi-lo para as 120 cidades que concentravam cerca de metade dos homicídios do país.
Isso nunca ocorreu.
Depois da saída de Moro do governo, o programa perdeu força. A participação da Força Nacional foi sendo reduzida, parte dos recursos demorou a chegar aos estados e o prometido mutirão dos ministérios na área social não saiu do papel como previsto. A experiência-piloto foi encerrada formalmente em abril de 2021.
A proposta da atual campanha também foca a estratégia policial de formar forças-tarefas e integrar diferentes órgãos em torno de alvos e territórios definidos.
O plano de Moro para o Paraná prevê criar “Forças-Tarefa de Investigação”, com equipes permanentes em diferentes regiões do estado, reunindo as polícias e a Receita Estadual para atingir a estrutura financeira das organizações criminosas.
Em encontro com policiais civis em agosto, Moro detalhou que as forças-tarefas teriam missões específicas contra facções, com o objetivo de “desmantelar a quadrilha, prender os líderes e confiscar o patrimônio”.
Em discurso no Senado em junho, Moro disse que pretendia aplicar suas experiências anteriores no Paraná para torná-lo o estado mais seguro do país.
Procurado pelo SBT News, Moro disse que vai criar forças tarefas para desmantelar gangues e quadrilhas, com participação de várias forças policiais.
“Não teremos a força nacional, mas as polícias estaduais farão um grande trabalho.”
Questionado sobre as razões pelas quais Bolsonaro não deu sustentação ao seu projeto, Moro não respondeu.


