Opinião – Adriana Fernandes: Alcolumbre dobra a aposta para buscar sua reeleição
Não é desprezível o poder de convencimento do presidente do Senado Federal
Não é desprezível o poder de convencimento do presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre. Pode estar enganado quem acha que a reeleição do senador do Amapá estava perdida com a força do PL saída das urnas no primeiro turno das eleições.
A votação da PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1 fortalece Alcolumbre nas negociações e mostra que ele está para jogo.
Não está derrotado, como muitos o tacharam, depois que o seu grupo político no estado perdeu as eleições para governador e para o Senado e depois do envolvimento dele, ainda não esclarecido, no escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
A poucos dias da eleição, Alcolumbre colocou a proposta em votação e impôs desgaste ao senador Rogério Marinho, coordenador da campanha do candidato Flávio Bolsonaro e principal adversário do presidente do Senado na campanha à reeleição.
Foi o Marinho quem convenceu o candidato do PL a apoiar o seu projeto alternativo ao fim da escala 6×1. A proposta cria um regime paralelo por hora trabalhada e é defendida por empresários dos setores que apoiam a candidatura.
A proposta ganhou tração nas redes de forma negativa com os apelidos de projeto 7×0 e PEC da escravidão e acabou obrigando Flávio a anunciar que mudou de posição e votará a favor do fim da 6×1.
Para dentro da campanha e aliados, o senador fala em rever pontos da proposta caso seja eleito, como mostrou o Painel da Folha. Uma posição que só ajuda a alimentar a especulação de que Flávio não vai cumprir as promessas de manter os programas sociais, caso eleito, como se comprometeu agora.
Adoentado, Marinho não registrou presença e foi aconselhado a ficar quieto e longe do plenário na votação. Até aqui, a fase para ele era de total lua de mel e afagos com a votação estrondosa que deu ao seu partido posição majoritária no Senado.
Na briga pelo controle do Senado, Marinho também vai travar uma queda de braço com a senadora Tereza Cristina, do PP, aliada de Flávio. Enxadrista, a ex-ministra da Agricultura também usa a sua estratégia para se tornar a primeira mulher a presidir o Senado.
O resultado dessa briga vai definir o jogo de forças em 2027.
Fonte: Folha de S.Paulo — ler a matéria completa no site de origem.


