Joesley ‘desaforado’, reforma tributária, terras raras: as falas de Lula em jantar com empresários
O presidente, candidato à reeleição, entrou em temas polêmicos e se defendeu sobre uma questão que desperta muitas críticas a ele no ambiente de negócios e entre economistas: as contas…
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Durante jantar com executivos e empresários nesta sexta-feira, 25, em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) brincou com a ambição de Joesley Batista, da JBS, de vender até foguetes e mísseis, chamando-o de “desaforado”. Ao se dirigir a ele – em uma referência à recente aquisição da Avibras, a maior indústria bélica do País, pelos irmãos Joesley e Wesley Batista –, manifestou admiração por empresários com essa disposição e disse buscar parceiros para fazer o País crescer em áreas nas quais há necessidade de investimentos.
O jantar, organizado por Esfera, Prerrogativas e Parlatório, reuniu executivos como Gustavo Pimenta, da Vale; e Milton Maluhy, do Itaú, e empresários como Rubens Ometto, presidente do conselho da Cosan, e Benjamin Steinbruch, da CSN.
Veja, a seguir, o que o petista comentou sobre diferentes temas, da mudança no sistema de cobrança de imposto até os escândalos financeiros e a relação com o Congresso. Lula citou também os conflitos com o presidente americano e se defendeu em uma questão que desperta muitas criticas a ele no ambiente de negócios e entre economistas: as contas públicas.
Experimentar a reforma tributária
Ao comentar a reforma tributária, Lula disse que, antes de que se faça qualquer mudança nessa legislação ainda em fase de implantação, é preciso ao menos “experimentá-la” em funcionamento. Ele afirmou que foi difícil aprovar uma reforma como essa com minoria no Congresso e que agora “já tem gente que quer mudar outra vez”, em referência ao seu principal adversário na disputa pelo Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro, que tem criticado a medida.
Agências reguladoras
O petista também disse que é preciso garantir estabilidade jurídica e política no País, hoje incertas. Lula também afirmou que é preciso impedir que agências reguladoras sejam “cooptadas”. “Nós não somos eleitos para ver as nossas agências serem cooptadas e os empresários mandarem e determinados políticos nas agências”, afirmou.
A cobiça internacional pelas terras raras
Sobre a questão dos minerais críticos, alvos de uma corrida mundial e cobiçados pelo presidente americano, Donald Trump, Lula afirmou que quer a presença de empresas estrangeiras na exploração de terras raras, mas sob regras brasileiras. “Quero empresas estrangeiras, mas elas têm de agir sob nosso comando”, disse.
O presidente citou uma frase do escritor uruguaio Eduardo Galeano sobre a exploração de ouro no Brasil na era colonial: “O ouro brasileiro deixou buracos no Brasil, templos em Portugal e fábricas na Inglaterra”. Segundo Lula, caso o Brasil não se posicione da maneira correta, o mesmo deve acontecer com a exploração das terras raras e outros minerais críticos. “O que vai acontecer com nossas riquezas? Dependendo de quem vocês elejam, vão entregar tudo”, disse.
E ainda especificou: “Vocês vão votar em um brasileiro ou em alguém que vai beijar a bandeira americana todo dia?”, questionou. Segundo o presidente, nessas eleições, a decisão é entre “fortalecer a democracia ou escolher a barbárie”.
A reação ao tarifaço de Trump
Lula disse que o Brasil pode usar a lei de reciprocidade contra os Estados Unidos. A legislação foi aprovada em resposta ao tarifaço americano contra o Brasil.
“Os Estados Unidos têm de tomar cuidado porque podemos usar a lei da reciprocidade”, afirmou. “Enquanto eu for presidente, quem manda aqui chama-se povo brasileiro.”
Ele disse que Trump “está apostando que será dono da América Latina”. E acrescentou que essa é uma aposta mais do secretário de Estado americano, Marco Rubio, do que do chefe da Casa Branca.
Quem paga a conta do desajuste nas contas
Sobre a questão fiscal – ponto crítico do governo aos olhos do empresariado e de economistas –, o presidente disse que não é respeitoso um país que não sabe tomar conta de suas próprias contas públicas. Ele reforçou que não é recomendável fazer dívidas que não se pode assumir e disse que foi com esse pensamento que tocou a economia nos últimos anos.
“Estabilidade fiscal é uma coisa obrigatória. Não é nem competência do governo, é obrigatório isso. Ele sabe que, quanto mais as contas estiverem desajustadas, quem vai pagar o preço é o povo pobre”, afirmou.
Lula disse também que acha “engraçado” quando alguns setores da sociedade pedem a ele responsabilidade fiscal. “Se esquece que nós pegamos esse País com 2,8% de déficit e entregamos um superávit de 0,1%.” Ele disse que esse superávit pode ser “pouco”, mas é a demonstração de que o Brasil encontrou um caminho para trazer responsabilidade fiscal de volta ao País.
Ainda falando sobre economia, Lula afirmou que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro só cresceu acima de 3% durante os mandatos petistas no início do século e depois que ele voltou à presidência em 2022. Ele também disse que “o povo sabe” que, antes dos governos petistas, não houve políticas de inclusão social no Brasil.
Lula afirmou também que, em um eventual outro mandato, teria de fazer uma “reforma política de verdade”. Em suas palavras, o Congresso não pode tomar 50% do Orçamento da União: “Não é justo”, afirmou.
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O ‘mar de lama’ do Caso Master
Ele se referiu ao escândalo do Banco Master como um “mar de lama” e disse, sem apresentar provas, que o ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro, corrompeu poderosos não com dinheiro, e sim com “orgia”. “Essa é a verdade, a gente vai ficar com frescura para falar as coisas, eu tenho de ter coragem para falar”, disse o candidato à reeleição.
Ainda em relação ao Master, Lula disse que não imaginou que estaria vivo para ver “tanta podridão”. O petista também voltou a dizer que a Justiça não pode ser seletiva e que não pode haver pessoas na República com as quais “não se pode mexer”. “Errou, pagou”, disse.
Banco Central independente
Lula disse que foram eles mesmos, os empresários, que lutaram para que o Banco Central fosse independente no País.
“Vocês foram brigar pelo Banco Central independente. Não fui eu. E, mesmo quando era independente, eu tinha controle. Quantas vezes vocês foram atrás do Banco Central para diminuir a taxa de juros? O Fernando Henrique trocou de presidente do BC quatro vezes. Eu não troquei o (Henrique) Meirelles, e todos queriam que eu trocasse”, disse.
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