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Ferroeste planeja nova ferrovia entre Irati e Lapa e assumir trecho da Malha Sul

Estatal quer assumir parte da Malha Sul e construir nova ligação para superar gargalo logístico da Serra da Esperança.

Por Jornal da Manhã · 9 de julho de 2026 07:00 · 4 min de leitura

A Ferroeste planeja revitalizar o trecho entre Cascavel, Guarapuava e Irati, assumir parte da Malha Sul e implantar uma nova ferrovia de Irati até a Lapa. A iniciativa integra os estudos de modelagem da privatização da companhia, elaborados pela consultoria Boston Consulting Group (BCG), com previsão de conclusão em julho.

O presidente da estatal, André Gonçalves, revelou com exclusividade que o objetivo é incluir esse segmento no processo de desestatização, já autorizado pela Assembleia Legislativa, e resolver o principal gargalo logístico do Paraná: a Serra da Esperança, situada entre Guarapuava e Irati.

A proposta é que o governo federal, ao estruturar a nova concessão do Corredor Ferroviário Paraná-Santa Catarina, retire o trecho entre Guarapuava e Lapa e o repasse à Ferroeste. “A ideia é a Ferroeste assumir esse trecho e fazer a obra”, afirmou Gonçalves. A sugestão será apresentada na audiência pública da futura concessão da Malha Sul.

Gonçalves ressaltou que o projeto não depende do cronograma da licitação federal, prevista para 2027 – data encarada com cautela pelo mercado devido a históricos atrasos. “Nosso projeto independe do que vai acontecer com a Malha Sul”, destacou, acreditando que a iniciativa pode antecipar a solução para a serra.

Em 2024, a Alep autorizou o governo Ratinho Junior a vender a estatal. Com a modelagem definida, o Executivo avalia que o processo pode ser acelerado, e a maior extensão da malha aumentaria o valor e o interesse do mercado.

Foco na Serra da Esperança

O principal objetivo é ampliar a capacidade ferroviária paranaense por meio da modernização da infraestrutura e de um novo traçado. A expectativa é saltar de 1,5 milhão de toneladas por ano para entre 5 e 6 milhões de toneladas.

“Hoje o gargalo para a ferrovia no Paraná é a Serra da Esperança. É um trecho que precisa de intervenção e o Estado está disposto a resolver”, explicou Gonçalves. Segundo ele, superado esse obstáculo, todo o estado ficaria bem servido de ferrovias, com boa velocidade média de circulação.

Os estudos preliminares indicam a necessidade de revitalização completa entre Cascavel e Irati, com substituição dos trilhos T-45, considerados obsoletos, por trilhos T-60, além da renovação de toda a superestrutura: dormentes, sistemas de drenagem e correções geométricas da via.

Já entre Irati e a região de Engenheiro Bley, na Lapa, está prevista a construção de uma ferrovia totalmente nova, em traçado greenfield. Na Lapa, a Ferroeste se reconectaria à Malha Sul, garantindo acesso aos portos de Paranaguá e São Francisco do Sul.

Mais competitiva

Caso o projeto saia do papel, a Ferroeste ampliará sua malha dos atuais 248 quilômetros (entre Cascavel e Guarapuava) para aproximadamente 450 quilômetros, aproximando-se do Porto de Paranaguá.

“O nosso objetivo agora é vencer a fase regulatória. Depois, vamos fechar a modelagem e testar com o mercado se ela faz sentido. Não estamos falando somente com a Rumo, mas com outras operadoras”, afirmou o presidente.

A consultoria utiliza informações operacionais fornecidas pela própria Rumo, além de dados da tentativa de renovação antecipada da Malha Sul. Também são aproveitados estudos técnicos do projeto da Nova Ferroeste – atualmente suspenso, mas com material considerado útil. Todos os investimentos previstos dialogam com projetos em andamento, como as ampliações planejadas no Porto de Paranaguá.

Próximos passos

Concluído o estudo em julho, a proposta será encaminhada ao governo do estado, controlador da companhia, que decidirá o encaminhamento. A atual concessão da Malha Sul deve vigorar até 2029, o que permite amadurecer a discussão. O contrato da Ferroeste tem 62 anos de vigência restantes, oferecendo segurança jurídica para os investimentos de longo prazo.

Operação atual

Em 2024, a Ferroeste registrou prejuízo operacional de R$ 8,6 milhões, coberto pelo governo estadual. A estrutura conta com seis locomotivas e 170 vagões, que circulam apenas no trecho Guarapuava-Cascavel, atendendo dois clientes nos segmentos de grãos e cimento. O percurso até os portos é operado pela Rumo, por meio de direito de passagem.

Com informações de Tribuna do Paraná.

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