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Festival com 7 bandas femininas agita Curitiba neste sábado

Festival Sem Assédio reúne bandas femininas e debates sobre violência de gênero na cena underground curitibana.

Fonte: Bem Paraná · 11 de julho de 2026 06:19 · 5 min de leitura

O Janaíno Vegan Largo da Ordem, em Curitiba, recebe neste sábado (dia 11) das 17h às 23h, o Festival Sem Assédio. Essa primeira edição reúne sete bandas formadas majoritariamente por mulheres e dissidências.

Além dos shows, o festival será um espaço de debate sobre representatividade, segurança e permanência na música. “Criado para ampliar o espaço de mulheres e dissidências na cena underground curitibana, nasce como uma resposta coletiva à violência de gênero e à exclusão enfrentadas por artistas independentes”, afirma o texto de divulgação do evento.

As informações sobre ingressos e programação podem ser acompanhadas pelo Instagram @festivalsemassedio.

Iniciativa

A iniciativa surgiu após a vocalista e fundadora da banda Demolidoras, Duda Hopp, relatar ter sido vítima de assédio e importunação sexual por parte de um produtor de eventos. Meses antes, no início daquele ano, Duda já havia chamado atenção ao subir ao palco de um festival de hardcore em Curitiba para criticar um line-up composto exclusivamente por bandas formadas por homens, questionando a ausência de mulheres na programação.

Duda registrou boletim de ocorrência e decidiu dar continuidade ao processo.

“Não é cota. É obrigação.”

A trajetória de Duda na música começou há cerca de três anos, quando decidiu formar uma banda autoral de punk rock. Sem experiência no circuito underground da cidade, entrou em contato pelo Instagram com grupos que realizavam shows cover e tributo em Curitiba. Foi assim que conheceu Sofia Nyx, guitarrista que participou do Rock Camp, projeto internacional presente em diversos países da América Latina que incentiva mulheres e meninas a aprender instrumentos, formar bandas e ocupar espaços na música. Sofia já conhecia Oli, no baixo, e Buh, na bateria. Assim nasceram as Demolidoras.

Com o tempo, Duda percebeu que as bandas formadas por mulheres e dissidências em Curitiba criaram uma rede de apoio entre si, impulsionada principalmente pelo Rock Camp. O desafio, segundo ela, começa quando essas artistas tentam ocupar espaços maiores dentro da cena.

“Quando nós mulheres conseguimos uma oportunidade num evento maior, na grande maioria das vezes somos a única banda com diversidade e, normalmente, escaladas apenas para abrir o evento”, afirma. “Internamente, brincamos dizendo que os homens fazem isso apenas para cumprir uma ‘cota’ implícita, evitando críticas ou acusações de machismo.”

Para Duda, a lógica precisa mudar. “Inclusão não é um favor, como muitos homens pensam que estão fazendo. É uma obrigação. Ainda mais dentro da cena underground, movimento que nasceu justamente como oposição às estruturas de opressão.”

O caso de Duda não é isolado. Olívia Yells relata que já vivenciou situações de assédio e misoginia inúmeras vezes, dentro e fora dos shows, tanto com ela quanto com mulheres próximas.

“É frustrante porque já me peguei em várias ocasiões tomando todos os cuidados possíveis para lidar com uma situação terrível sem ser desagradável ou passar de louca”, desabafa.

É diante desse cenário que o Festival Sem Assédio se apresenta não apenas como um evento musical, mas também como um posicionamento coletivo. A organização espera receber entre 150 e 200 pessoas ao longo do dia. Os ingressos serão pagos, mas haverá lista de gratuidade ou desconto para pessoas trans, pessoas com deficiência e outros grupos prioritários.

Nos intervalos entre as apresentações, a organização pretende utilizar o palco para discutir abertamente as formas de exclusão, assédio moral e violência sexual presentes na cena artística curitibana.

“Queremos que tanto as artistas do line-up quanto o público presente sintam-se abraçados e acolhidos. Acredito que os shows são capazes de transformar esse sentimento mútuo de impotência em união e em uma só voz, que grita cada vez mais alto”, afirma Duda.

O Festival Sem Assédio não é o primeiro com esse propósito em Curitiba. Duda cita o Festival Electra como uma iniciativa anterior que também apostou na diversidade como eixo central da programação. “A presença forte de mulheres e dissidências no palco e no público gerou um sentimento de pertencimento e segurança”, lembra.

Olívia Yells acredita que o fortalecimento dessas iniciativas pode provocar mudanças duradouras. “Acredito na força coletiva. É muito potente quando mulheres se juntam por uma transformação. Estou extremamente ansiosa por esse evento e por esse movimento. Sinto que pode fazer história! Na verdade, já está fazendo.”

Para Duda, o objetivo vai além da realização de um festival. “Não nos conformamos. Queremos continuar furando nossa bolha, ocupando nossos merecidos lugares em eventos de maior porte e incomodando quem ainda carrega a misoginia dentro de si.”

O Festival Sem Assédio acontece no dia 11 de julho, das 17h às 23h, no Janaíno Vegan Largo da Ordem, em Curitiba.

Fonte: Bem Paranáler a matéria completa no site de origem.

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