Mobilização cresce para retirar trilhos de trem da área urbana de Curitiba
Os vereadores de Curitiba aderiram ao movimento pela retirada dos trilhos de trem dos trechos urbanos na cidade. Em audiência pública na última terça (30), o encerramento do contrato de…
Os vereadores de Curitiba aderiram ao movimento pela retirada dos trilhos de trem dos trechos urbanos na cidade. Em audiência pública na última terça (30), o encerramento do contrato de concessão da Malha Ferroviária Sul, previsto para março de 2027, foi apontado por autoridades, técnicos e representantes da sociedade civil como uma “janela de oportunidade única” para reestruturar o transporte de cargas na Região Metropolitana de Curitiba. Após a audiência, a Câmara Municipal de Curitiba (CMC) aderiu à “batalha” pela retirada dos trilhos da área urbana de Curitiba que já acontece em Brasília por iniciativa de deputados federais paranaenses. O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD) já se manifestou a favor da retirada dos trens da cidade na nova concessão. Um calendário de novas ações foi definido na audiência.
A iniciativa do debate foi proposta conjuntamente pelos vereadores Angelo Vanhoni (PT), Serginho do Posto (PSD), Laís Leão (PDT), Rafaela Lupion (PSD), Jasson Goulart (Republicanos) e Leonidas Dias (Pode). Os vereadores Mauro Bobato (PP) e Vanda de Assis (PT) também acompanharam os trabalhos. Coordenador da mesa, Angelo Vanhoni defendeu a união das forças políticas e institucionais do Paraná junto ao Ministério dos Transportes e à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). “Nosso papel é fortalecer a presença nas próximas audiências e iniciar uma mobilização com os prefeitos das regiões que podem ser integradas ao novo traçado, na Região Metropolitana e no Litoral”, sintetizou.
Os vereadores e técnicos presentes detalharam os ônus urbanos causados pela permanência do ramal de cargas dentro dos bairros da capital, destacando os índices de acidentes:
O líder do governo na CMC, Serginho do Posto, relembrou que a capital paranaense abriga 45 passagens de nível e registrou 764 acidentes ferroviários entre dezembro de 2020 e janeiro de 2026, dos quais 293 ocorreram em Curitiba e na Região Metropolitana.
O superintendente da Secretaria Municipal de Defesa Social e Trânsito (Setran), Gustavo de Almeida Garrett, complementou que Curitiba é a capital com os piores índices de ocorrências com trens do país, segundo dados da ANTT, anotando 11 registros apenas no primeiro semestre de 2026 (oito atropelamentos e três abalroamentos).
A vereadora Rafaela Lupion, presidente da Comissão de Urbanismo da Casa, associou a urgência do contorno às discussões da revisão do Plano Diretor. Jasson Goulart pontuou a constante reclamação dos moradores sobre a falta de cancelas automáticas de proteção nas passagens de nível, exigindo maior rigor técnico de fiscalização das agências reguladoras. A vereadora Laís Leão advertiu que o novo contrato terá vigência de 30 anos e defendeu que uma possível desocupação dos trilhos centrais abre espaço para o planejamento de novos usos e modais, como o transporte de passageiros.
O que dizem os deputados federais sobre os trilhos de trem na área urbana de Curitiba
A articulação em Brasília para viabilizar as obras estruturais foi detalhada pelos deputados federais presentes no encontro, que citaram reuniões estratégicas com o ministro dos Transportes, George Santoro, inclusive em agenda recente em Umuarama, para debater a integração logística.
A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) explicou que o Ministério sinalizou positivamente para que o edital da nova licitação contemple o projeto executivo e as obras de desvio. De acordo com a parlamentar, o Paraná responde pela fatia mais rentável da Malha Sul — que soma 7 mil quilômetros totais, dos quais 4,2 mil quilômetros serão relicitados. Hoffmann estimou que a implantação do Contorno Ferroviário Oeste, com extensão aproximada de 50 km, demandaria investimentos entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões, montante passível de financiamento via BNDES com carência durante a fase de investimentos. “Essa obra resolveria 80% dos problemas de Curitiba”, apontou.
Por sua vez, o deputado federal Beto Preto (PSD-PR), integrante da Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados, informou que solicitou a criação de uma subcomissão federal para acompanhar a licitação e ponderou que, considerando as complexidades geográficas gerais, o custo total estimado das intervenções na região pode alcançar R$ 5 bilhões.
IPPUC desenvolve estudos desde os anos 2000
O engenheiro Clever Ubiratan Teixeira de Almeida, assessor da presidência do IPPUC, destacou que o instituto desenvolve estudos sobre o tema desde os anos 2000. Segundo ele, embora o Contorno Leste apresente uma extensão menor (cerca de 30 km), possui custo elevado devido à necessidade de transposição e conexão com o Pátio Iguaçu e as Oficinas da Vila Oficinas. Almeida lembrou que a operação urbana atual gera ruídos excessivos e trava a implantação de binários de trânsito.
Representando o setor produtivo, o superintendente da FIEP, João Arthur Mohr, manifestou apoio à proposta do governo federal de divisão da Malha Sul em três corredores logísticos e frisou que o modal ferroviário é indispensável por emitir cinco vezes menos carbono por tonelada transportada. Contudo, defendeu que o caderno de encargos inclua a ampliação dos pátios de manobra para suportar composições de 120 vagões e a correção do traçado da Serra da Esperança, para aumento de eficiência e evitar a perda de cargas para outras regiões.
Os promotores de Justiça Aline Bahr e Régis Rogério Vicente Sartori, do Ministério Público do Paraná (MPPR), sinalizaram preocupação com o impacto integrado na Região Metropolitana e informaram que o órgão irá capitanear ações conjuntas com o Ministério Público Federal (MPF) para buscar soluções resolutivas.
Na ala da sociedade civil, moradores dos bairros Cristo Rei, Jardim Botânico e Hugo Lange relataram problemas crônicos com a poluição sonora de buzinas durante a madrugada, afetando hospitais e casas de repouso, e solicitaram assento e transparência nas decisões do IPPUC sobre o destino das faixas de terra remanescentes.
Capital paranaense tem 37 quilômetros de trilhos
Em Curitiba, há 37 quilômetros de trilhos que cortam os bairros das regiões Sul e Leste. São 45 passagens de nível instaladas para a circulação de pedestres e veículos, a maioria no Uberaba e no Cajuru.A ligação férrea da capital com o mar foi construída pelos Irmãos Rebouças há mais de 100 anos, no período imperial.
As linhas férreas são uma concessão do governo federal. A Região Metropolitana de Curitiba faz parte da Malha Sul e quem explora atualmente é a Rumo Logística.
Curitiba é a segunda capital brasileira com mais mortes em acidentes com trem e outros veículos ferroviários, enquanto o Paraná é o terceiro estado com mais óbitos nesse tipo de ocorrência. É o que revela um levantamento do Bem Paraná, feito com base no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.
Ao encerramento da audiência pública, ficou decidido que a comissão da CMC estenderá os debates para garantir a mobilização política e a inclusão definitiva das obras no edital. O cronograma oficial de discussões contará com os seguintes eventos:
· 16 de julho: Audiência Pública do Ministério dos Transportes, em Brasília (DF), com transmissão online.
· 20 de julho (às 19h): Nova Audiência Pública local, convocada pela CMC, a ser realizada no auditório do Sinduscon-PR (Rua João Viana Seiler, 116), para aprofundar os desdobramentos técnicos da reunião federal.
· 27 de julho: Audiência Pública presencial do Ministério dos Transportes, em Curitiba (PR).
Fonte: Bem Paraná — ler a matéria completa no site de origem.


