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Curitiba aprova R$ 600 milhões para revitalização de rio

Operação de crédito com a Agência Francesa de Desenvolvimento financiará ações climáticas e urbanas na bacia do Belém.

Fonte: Bem Paraná · 27 de junho de 2026 06:22 · 4 min de leitura

Os vereadores de Curitiba aprovaram nesta sexta-feira (26 de junho) a contratação, pela Prefeitura, de um financiamento externo que vai servir para custear obras ambientais, a construção de parques e ciclovias e a implementação de melhorias ambientais na Capital. A operação de crédito, no valor de 100 milhões de euros (o equivalente hoje a R$ 591 milhões), será feita com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), com garantia da União. O município terá terá 60 meses de carência e 20 anos para pagamento da dívida.

O dinheiro, alega o município, será usado em três frentes principais do Programa Curitiba Resiliente: Ações Estratégicas do PlanClima: o Ecodistrito Belém, a Reserva Hídrica do Futuro e a ampliação do Hipervisor Urbano. Estão previstas a requalificação da porção sul da bacia do rio Belém, a implantação de parques e áreas alagáveis na cidade, a recomposição de mata ciliar, construção de ciclovias e vias drenantes, investimentos em arborização, manejo hídrico, equipamentos para reciclagem e geração de renda, além da criação de unidades habitacionais para realocar famílias em áreas de risco.

De acordo com a Câmara Municipal, a autorização legislativa é uma etapa do processo e não significa a contratação imediata do empréstimo, que ainda depende de análises federais, incluindo a Secretaria do Tesouro Nacional, o Senado Federal e a garantia da União.

Rio Belém: o mais curitibano de todos os rios

O Rio Belém é conhecido como o rio mais curitibano de todos. Com mais de 20 quilômetros de extensão, ele nasce e desagua dentro de Curitiba mesmo, cortando 37 bairros de norte a sul. Nesse trajeto, atravessa ainda cinco parques urbanos, entre eles o mais antigo da cidade, o Passeio Público, de 1886.

Antes da urbanização, suas margens abrigavam povos originários. O nome, por sua vez, foi dado pelos portugueses, em homenagem a Belém, bairro de Lisboa.

Resposta a riscos climáticos, diz vereadora

Na defesa do projeto, Rafaela Lupion (PSD) afirmou que a proposta responde a riscos climáticos identificados na bacia do Belém, como alagamentos, inundações, ilhas de calor e déficit de arborização. “Esse projeto é de suma importância para que avancemos numa Curitiba resiliente, numa Curitiba inovadora, numa Curitiba humana, que respeita e pensa o melhor para a sua população”, afirmou.

Serginho do Posto (PSD), que é líder do governo, já apontou que a Prefeitura começou o mapeamento de famílias que deverão ser realocadas. Segundo ele, a Cohab atua no cadastramento e a intenção é manter os moradores o mais próximo possível das áreas onde vivem hoje.

Oposição reclama da falta de debate

Já na oposição, a líder Camilla Gonda (PSB) liberou a bancada na votação do projeto. Ela afirmou que parte da Oposição reconhecia o mérito ambiental da proposta, mas questionava a forma como o texto chegou à Câmara. “O projeto não é só o mérito, é também a forma”, disse.

Nessa mesma linha, a vereadora Professora Angela (PSOL), que votou contra o projeto, apontou que a finalidade ambiental da proposta não elimina a necessidade de discutir seus impactos sociais, territoriais e fiscais. “Não basta dizer que o projeto é verde, é preciso perguntar: verde para quem? Quem paga essa conta? Quem é removido? Quem decide? E quem lucra?”, questionou. A vereadora também criticou o que chamou de “cheque em branco de 100 milhões de euros” sem garantias adicionais de proteção à população.

Fonte: Bem Paranáler a matéria completa no site de origem.

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