Flávio Bolsonaro chega a convenção sem coligação e com baixa nas pesquisas
Evento que vai oficializar sua candidatura à Presidência da República neste sábado, 25, em São Paulo, deve ocorrer sem a definição de vice na chapa
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BRASÍLIA E SÃO PAULO – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chega à convenção partidária que vai lançar a sua candidatura à Presidência da República, neste sábado, 25, em São Paulo, com cartas na manga para angariar apoio ao seu projeto, mas isolado nas alianças eleitorais e empacado nas pesquisas de intenção de voto.
A equipe de Flávio aposta na divulgação de uma vice na chapa para fazer acenos ao eleitorado feminino – que representa 52,8% dos votos e tem resistência ao presidenciável.
Seis nomes compunham a lista de cogitadas, entre deputadas, uma senadora e uma economista, mas a escolha depende das alianças que o PL fizer, e elas não estão andando. Assim, a convenção do PL deve ocorrer sem a definição da vice de Flávio.
“A princípio, não será anunciada (a vice da chapa). Nós temos até o dia 5 de agosto”, afirmou o coordenador da pré-campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), na segunda-feira, 20, referindo-se ao prazo do período de convenções.
Ao contrário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cujas políticas públicas são conhecidas após quase 12 anos de governo, Flávio ainda pode surpreender com as promessas que fará ao eleitorado. O programa de governo já está pronto e vai ser divulgado no momento do registro da candidatura, no começo de agosto.
A entrada de outras duas mulheres é esperada como trunfo: uma menos e outra mais provável. Uma ala da equipe diz acreditar no embarque da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na campanha do enteado, numa aposta que o símbolo de união entre dois familiares pode engajar o eleitorado.
A reconciliação com Michelle é tão importante para Flávio que o senador publicou um vídeo nesta quinta-feira, 23, pedindo desculpas a ela, elogiando o seu trabalhando e pregando união na direita. Ele argumentou que os adversários políticos têm “explorado” o racha no bolsonarismo, o que não ajuda na tentativa de tirar o PT do poder. A ex-primeira-dama respondeu a Flávio no mesmo dia, em um vídeo em que aceitou o pedido de desculpas e o agradeceu pela sinceridade. Mas o clima de desconforto entre os dois ainda permanece.
Enteado e madrasta não se falam desde que Michelle divulgou um vídeo com críticas pesadas contra Flávio, em junho, episódio que a levou a renunciar ao PL Mulher e a se recolher diante das críticas.
O outro trunfo é Fernanda Bolsonaro, que se prepara para entrar na campanha e suavizar a imagem do marido. Especializada em ortodontia e ortopedia facial, ela deve focar no tema da saúde e direcionar o discurso para mulheres, com ajuda da economista Daniella Marques. A deputada federal Simone Marquetto (PP-SP) completa a tríade feminina que vai tentar percorrer o Brasil para ajudar o senador com o público feminino.
Pesquisas e alianças são desafios de Flávio
Enquanto isso, Flávio enfrenta dois grandes problemas: o desempenho nas pesquisas e o isolamento nacional. A última pesquisa Quaest mostrou que a distância de Lula e Flávio aumentou de 10 para 12 pontos porcentuais (40% a 28%) no primeiro turno, e de seis para oito pontos (45% a 37%) no segundo turno.
O senador também vem perdendo espaço entre a direita não-bolsonarista. Na comparação entre os levantamentos de abril e o da semana passada, ele despencou de 90% para 74% nesse público, na simulação de segundo turno.
Além disso, o PL periga ficar isolado na disputa, uma vez que os partidos de seu campo vêm rechaçando a coligação. Sem esse apoio, Flávio terá um tempo menor na propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV. Pelas projeções feitas até agora, o presidente Lula contará com 5 minutos e 32 segundos em cada bloco do programa, enquanto o senador terá 4 minutos e 20 segundos se não conquistar novos aliados.
Como o Estadão mostrou, o PP caminha para ficar neutro na disputa presidencial. Para esse grupo, a possibilidade de apoiar Flávio esbarra não apenas em cálculos eleitorais, mas também no distanciamento entre o senador e o presidente da legenda, Ciro Nogueira.
Dirigentes do partido avaliam que a relação entre os dois se deteriorou após os desdobramentos do caso Banco Master. O comando do PP se ressentiu da falta de uma manifestação pública de solidariedade de Flávio quando Ciro foi alvo de uma operação da Polícia Federal em investigação sobre suspeitas de recebimento de vantagens indevidas ligadas ao ex-dono do banco, Daniel Vorcaro.
Além do desgaste entre Flávio e Ciro, integrantes do PP criticam a condução da pré-campanha pelo coordenador Rogério Marinho. Na avaliação desse grupo, Marinho concentrou as decisões, especialmente nos primeiros meses, e restringiu a participação de outras lideranças, o que teria dificultado inclusive a construção de acordos nos palanques estaduais.
As críticas encontram eco dentro do próprio PL. Como mostrou o Estadão, parte dos integrantes do partido reconhecem a capacidade de articulação política de Marinho, mas avaliam que ele ficou “isolado” à frente da coordenação. Para esse grupo, a pré-campanha precisa incorporar mais lideranças, distribuir responsabilidades e ampliar a participação nas decisões.
Apesar de a neutralidade ser hoje a posição predominante, uma ala do PP ainda acredita ser possível construir um acordo com Flávio. Integrantes desse grupo destacam movimentos recentes de aproximação do presidenciável, como sua participação na convenção estadual da federação União-PP em São Paulo e a conversa com Ciro nesta quarta-feira, 22.
Uma liderança do PP afirma que a conversa foi positiva e avaliou que a decisão ainda não está completamente fechada. Como sinais de uma possível reaproximação, citou o fato de Ciro ter aceitado conversar com Flávio, o adiamento da convenção nacional do partido e o anúncio do apoio do PL ao PP no Piauí, Estado pelo qual o presidente da legenda tenta a reeleição ao Senado.
Com o caminho pavimentado para a neutralidade no PP, o União Brasil deverá seguir a mesma posição, já que as duas siglas integram uma federação. Além dessa vinculação formal, integrantes do União apontam razões próprias para manter distância de Flávio.
Na avaliação desse grupo, a candidatura acumula riscos que podem produzir custos para as campanhas do partido nos Estados. Entre os fatores de cautela estão os possíveis desdobramentos do caso “Dark Horse” e o embate público com Michelle.
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Diante da dificuldade de fechar um acordo com a federação União-PP, a pré-campanha intensificou as negociações para atrair o Republicanos. O interesse se deve, especialmente, ao fato de uma das preferidas para ocupar a vaga de vice na chapa de Flávio ser a economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e filiada ao partido no início deste ano.
A legenda comandada pelo deputado Marcos Pereira (SP), porém, também resiste a formalizar o apoio. Integrantes do Republicanos afirmam que o partido poderia se interessar pela vaga de vice caso enxergasse competitividade real na chapa, mas citam as crises que cercam a candidatura de Flávio como motivo de cautela.
A negociação também depende de um acordo mais amplo com o PL. Dirigentes do Republicanos condicionam uma eventual aliança nacional à resolução de impasses nos palanques estaduais de Mato Grosso, Roraima, Rio de Janeiro e Minas Gerais.


