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Condenação de homem por morte de casal após festa neonazista na Grande Curitiba é anulada pela Justiça do Paraná

O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) anulou, nesta quinta-feira (1º), a condenação de Ricardo Ferreira Barollo pelo assassinato do casal Renata Waechter

Fonte: Banda B · 5 de outubro de 2026 06:01 · 6 min de leitura

O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) anulou, nesta quinta-feira (1º), a condenação de Ricardo Ferreira Barollo pelo assassinato do casal Renata Waechter Ferreira, de 21 anos, e Bernardo Dayrell Pedroso, de 24, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), em 2009.

Barollo havia sido condenado a 48 anos e 9 meses de prisão, em maio de 2025, apontado como mandante do crime. Com a decisão, ele deverá ser colocado em liberdade e será submetido a um novo julgamento.

A decisão foi tomada por unanimidade pela 6ª Câmara Criminal do TJPR. Os desembargadores entenderam que houve prejuízo à defesa porque parte das provas utilizadas pela acusação havia sido produzida em outro processo, sem a participação dos advogados de Barollo. O novo julgamento deverá ocorrer diante de outro Conselho de Sentença.

O caso aconteceu em abril de 2009 e envolveu uma disputa interna dentro de um grupo neonazista que atuava na RMC. Renata e Bernardo participaram de uma festa em Campina Grande do Sul que celebrava os 120 anos do nascimento de Adolf Hitler, antes de serem mortos a tiros na BR-116, em Quatro Barras.

Tribunal apontou falha no direito de defesa

Segundo o acórdão, a acusação sustentou a participação de Barollo como mandante com base, entre outros elementos, em mídias com depoimentos de corréus e testemunhas produzidos em um processo desmembrado. A defesa não havia participado da produção desses depoimentos e, durante o processo, tentou ter acesso aos autos e questionou a utilização das gravações.

O TJPR entendeu que apenas permitir que a defesa tivesse conhecimento das mídias não seria suficiente. Para os desembargadores, a prova oral precisava passar pelo contraditório de forma efetiva, com possibilidade de questionamento direto das testemunhas, exploração de contradições e análise da credibilidade dos depoentes.

Defesa de Barollo afirma que vai provar inocência

Em nota enviada à Banda B nesta sexta-feira (2), o advogado Adriano Bretas, que representa Barollo, afirmou que o TJPR reconheceu, por unanimidade, a nulidade do julgamento. Segundo a defesa, a decisão reconheceu que o júri ocorreu sem que as provas fossem produzidas em observância ao contraditório e ao devido processo legal.

Confira o comunicado abaixo:

“O e. Tribunal de Justiça do Estado do Paraná reconheceu, por unanimidade de votos, a nulidade do julgamento de Ricardo Barollo.

O Tribunal decidiu que o júri popular foi ilegal porque não foram produzidas provas em observância ao contraditório e devido processo legal.

A decisão representa o reconhecimento de uma ilegalidade que vinha sendo combatida pela defesa muito antes do julgamento.

O próximo passo será a realização de um novo Júri, oportunidade em que a defesa demonstrará a verdade: Ricardo Barollo é inocente!”

Família de Renata lamenta anulação da condenação

A família de Renata Waechter Ferreira afirmou ter recebido “com consternação” a decisão do TJPR. Em nota enviada à Banda B pelo advogado José Carlos Portella Junior, a família disse que foram 16 anos de espera pelo julgamento e que a decisão de anular a condenação surpreendeu os familiares após quase um ano e meio do júri que condenou Barollo.

“A família da Renata Waechter Ferreira recebe com consternação a notícia sobre a anulação da condenação de Ricardo Barollo. Foram 16 anos de espera angustiante para que o Júri saísse. Após quase um ano e meio do Júri que condenou Barollo, a família de Renata é surpreendida com a decisão do Tribunal de Justiça do Paraná anulando o Júri e ordenando a soltura do mandante do crime. A defesa da família irá estudar a decisão e pensar nos próximos passos em conjunto com a promotoria, mas espera que Barollo seja condenado novamente e que retorne para a cadeia o mais breve possível”

diz a nota.

Casal foi morto após festa neonazista na Grande Curitiba

Renata Waechter Ferreira e Bernardo Dayrell Pedroso foram assassinados a tiros na madrugada de 21 de abril de 2009, na BR-116, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. Os dois haviam participado de uma festa em uma chácara de Campina Grande do Sul que celebrava os 120 anos do nascimento de Adolf Hitler.

Segundo as investigações, o casal deixou a festa em um carro, acompanhado por um dos denunciados. Outro veículo teria obrigado o carro das vítimas a parar no acostamento da rodovia. Dois homens encapuzados desceram armados e atiraram contra Renata e Bernardo, que morreram no local.

Barollo foi apontado como mandante do crime

Segundo o processo nº 0001370-13.2022.8.16.0037, a investigação apontou Barollo como líder do movimento nazista no Brasil e responsável por ordenar as mortes em meio a uma disputa interna de liderança. Bernardo, estudante de Direito, era considerado o “intelectual” do grupo e, segundo as investigações, havia manifestado oposição a ataques contra homossexuais e travestis em Curitiba e tentava se afastar do movimento.

A denúncia apresentada pelo Ministério Público em maio de 2009 citava cinco executores e um mandante. Um dos envolvidos morreu durante o andamento do processo. Em março de 2025, outros dois envolvidos foram condenados: João Guilherme Correa recebeu pena de 35 anos, 2 meses e 15 dias, enquanto Jairo Maciel Fischer foi condenado a 32 anos, 3 meses e 15 dias de prisão.

Condenado pelo crime foi preso na Itália

Correa estava foragido desde março de 2025 em junho, em Milão, na Itália. Segundo informações divulgadas após a prisão, ele foi localizado em uma fazenda na província de Pavia e apresentou um documento de identidade falso, que não era brasileiro.

Correa seria integrante da Hammerskin Nation, grupo neonazista fundado nos Estados Unidos no fim da década de 1980. A prisão foi noticiada pela imprensa italiana e comemorada por parlamentares do país como uma ação contra o neonazismo internacional.

Fonte: Banda B — ler a matéria completa no site de origem.

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