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Áudios revelam detalhes de esquema de loteamentos clandestinos de R$ 5 milhões que levou vereador à prisão na RMC

Gravações mostram negociações ilegais, derrubada de árvores e menções a repasses para campanha eleitoral, segundo o Gaeco.

Fonte: Banda B · 25 de setembro de 2026 06:10 · 5 min de leitura

Novos detalhes da investigação que levou à prisão do vereador Márcio Bueno, de Campo Magro, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), foram revelados pela Ric RECORD. Áudios e documentos mostram, segundo o Ministério Público do Paraná (MPPR), conversas entre investigados sobre a venda irregular de terrenos, derrubada de árvores, instalação de água e energia elétrica e até o uso de dinheiro para campanha política.

Márcio Bueno, do MDB, foi um dos dez denunciados presos na Operação Fundo Falso, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela 5ª Promotoria de Justiça de Almirante Tamandaré. O MPPR aponta o vereador como um dos líderes do grupo investigado.

Segundo as informações da Ric RECORD, o Gaeco estima que o esquema tenha movimentado cerca de R$ 5 milhões ao longo de aproximadamente cinco anos. Desse total, cerca de R$ 3 milhões estariam relacionados à venda dos terrenos, enquanto outros R$ 2 milhões seriam referentes a danos ambientais e urbanísticos.

Áudios citam venda de terrenos, água e energia

Um dos áudios apresentados pela RIC Record mostra uma conversa atribuída ao vereador sobre a comercialização de terrenos. Na gravação, segundo a reportagem, ele fala sobre colocar nos contratos a previsão de instalação de água e energia elétrica nas áreas negociadas.

Em outro áudio, um investigado identificado como João Márcio Emiliano, apontado pela investigação como servidor público e operador do esquema, relata ter derrubado cerca de 150 árvores em uma área.

A investigação aponta que os terrenos eram divididos e vendidos como se estivessem regularizados. O grupo teria buscado principalmente imóveis rurais com pouca movimentação dos proprietários, além de propriedades pertencentes a idosos ou que estavam em processo de inventário.

De acordo com o MPPR, os investigados conseguiam informações e cópias de documentos dos imóveis e, posteriormente, simulavam negociações com intermediários, utilizando documentos falsificados para viabilizar a venda dos loteamentos clandestinos.

Investigados falam em dinheiro para campanha

Outro trecho apresentado pela reportagem mostra uma conversa na qual um dos investigados fala sobre a possibilidade de colocar dinheiro na campanha política do vereador.

Em outro áudio, um homem cobra Márcio Bueno por valores que afirma ter colocado em uma conta ligada à família do parlamentar. Segundo a gravação apresentada pela RIC Record, ele menciona mais de R$ 300 mil e reclama que estaria trabalhando na abertura e venda de terrenos enquanto o vereador se dedicava à política.

As falas fazem parte do material analisado pelo Gaeco e devem ser tratadas como elementos da investigação. A denúncia apresentada pelo MPPR afirma que o vereador teria utilizado a posição ocupada na administração pública para favorecer os interesses do grupo.

Segundo o Ministério Público, ele teria atuado para viabilizar obras públicas em áreas onde os imóveis rurais eram fracionados ilegalmente e também teria obtido informações antecipadas sobre fiscalizações municipais.

Terrenos eram vendidos por até R$ 250 mil, diz investigação

A reportagem da Ric RECORD aponta que os valores pagos pelos compradores dos terrenos variavam entre R$ 5 mil e R$ 250 mil.

Segundo o Gaeco, quatro áreas principais foram identificadas na investigação. Duas delas ficam em Campo Magro, nas regiões do Jardim Boa Vista e Terra Boa. Outra área fica em Bateias, em Campo Largo, às margens da Estrada do Cerne.

A investigação também aponta que o grupo teria recorrido a ameaças e intimidações contra proprietários verdadeiros ou pessoas que descobriam as irregularidades.

Na operação, o MPPR informou ter identificado pelo menos quatro loteamentos clandestinos em Campo Magro e Almirante Tamandaré. Dez pessoas foram denunciadas e tiveram a prisão preventiva determinada. Outras duas foram denunciadas e receberam medidas cautelares diferentes da prisão.

Câmara encaminha caso de vereador para Comissão de Ética

Após a prisão do vereador, a Câmara Municipal de Campo Magro informou, segundo a RIC Record, que tomou conhecimento das acusações e comunicou os demais parlamentares em uma sessão especial.

O caso foi encaminhado para a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, que deverá acompanhar a situação envolvendo Márcio Bueno.

Ainda conforme a reportagem, a Procuradoria da Câmara recomendou ao presidente da Casa a suspensão do subsídio do vereador enquanto durar o impedimento temporário para o exercício do mandato.

A reportagem, porém, não conseguiu confirmar se o pagamento já havia sido efetivamente suspenso.

A defesa de Márcio Bueno foi procurada pela Banda B, mas não havia se manifestado até o fechamento da reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações.

Fonte: Banda B — ler a matéria completa no site de origem.

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