Nepal testa drones para levar ajuda a áreas isoladas pela tragédia
Testes são realizados no rio Trishuli para levar mantimentos a comunidades isoladas após desastre que matou quase mil pessoas.
No Nepal, enquanto as buscas por mais de 4 mil pessoas continuam, há também uma corrida para levar alimentos e outros itens essenciais aos sobreviventes da maior tragédia já registrada no país em mais de 10 anos. Segundo a ONU, cerca de 10 mil famílias foram afetadas pelo desastre. Com estradas e pontes arruinadas, postes de energia destruídos e a interrupção de transporte e comunicação, as equipes de resgate começaram a testar drones para entregar suprimentos por meio do rio Trishuli, que nasce no Tibete, onde há a confirmação de 16 mortes e mais de 500 desaparecidos, e desagua na região central do Nepal.
Na tarde do último sábado, cerca de uma dúzia de operadores de drones, voluntários do Exército e policiais se reuniram em um terreno aberto em Devighat, uma área na cidade de Bidur, no centro do Nepal, para testar se os dispositivos poderiam ser usados. Os drones têm aproximadamente o tamanho de uma mesa de jantar e podem transportar até 100 quilos. Alguns dos pacotes continham arroz, macarrão instantâneo, roupas e absorventes higiênicos.
Drones desse porte e capacidade, que custam milhares de dólares, podem subir a muitos metros de altitude. Alguns dos operadores, por exemplo, eram experientes pilotos comerciais de drones que já haviam entregado encomendas em grandes altitudes no Himalaia.
Mas, durante o teste, o grupo agiu com cautela, carregando o drone com uma carga de cerca de 60 quilos. Após o primeiro teste bem-sucedido, os operadores se parabenizaram e repetiram a operação algumas vezes.
Agora, planejam apresentar o projeto às autoridades, que vão avaliar se esse tipo de entrega poderia acelerar o auxílio humanitário. Diversos outros tipos de drones já estão em uso, inclusive para entregar mantimentos de emergência em áreas remotas.
A enchente da semana passada, que atingiu a região do Himalaia entre o Nepal e a China, destruiu mais de 35 pontes e danificou cerca de 40 quilômetros de estradas, incluindo trechos de rodovias importantes.
O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, classificou o desastre como “inimaginável e devastador”. Em entrevista à agência Reuters, o ministro das Finanças do Nepal, Swarnim Wagle, disse que mais de US$ 4 bilhões (mais de R$ 20 bilhões) podem ser necessários para reconstruir a infraestrutura destruída.
Quase mil mortos
No Nepal, até o fechamento desta reportagem, o número oficial chegou a 939 mortos e 4.247 desaparecidos. Autoridades chinesas informam 16 mortos e 546 desaparecidos no Tibete, território controlado pelos chineses. Entre os desaparecidos estão turistas, peregrinos que seguiam para o Monte Kailash e 933 trabalhadores de usinas hidrelétricas no Nepal.
A enorme onda de gelo, rochas e detritos atingiu aldeias e cidades, soterrando moradias, derrubando pontes e arrastando veículos. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o desastre foi provocado pelo colapso de uma geleira, que lançou uma parede de água e sedimentos rio abaixo.
A quantidade de corpos recuperados e a falta de instalações adequadas de refrigeração fizeram as autoridades nepalesas começarem os enterros antes da conclusão da identificação. Amostras de DNA foram coletadas para permitir que as famílias reconheçam posteriormente os mortos e realizem os ritos funerários tradicionais.
No posto fronteiriço de Gyirong, considerado o epicentro do desastre no lado chinês, as equipes avançaram apenas 285 metros no último domingo, devido às condições do terreno. A operação de resgate continua enquanto autoridades dos dois países monitoram novos lagos e possíveis enxurradas na região.
Sobreviventes enfrentam, agora, a tarefa de reconstruir suas vidas. Buddhi Ram Dangol, morador do distrito de Nuwakot, descreveu a dimensão da destruição.
— Todos os povoados perto do rio foram destruídos. Não restou nada.


