Ancelotti de Curitiba, porteiro copia até chiclete e vira sósia do técnico
Claudineto Melo da Silva, porteiro de 52 anos, é confundido com o técnico da seleção brasileira e até arrisca palpites sobre escalação.
O técnico Carlo Ancelotti ganhou um sósia em Curitiba. Claudineto Melo da Silva, porteiro de um condomínio na capital paranaense, passou a chamar a atenção de moradores, colegas de igreja e até desconhecidos na rua pela semelhança com o treinador da seleção brasileira no período de Copa do Mundo.
O que aconteceu
A primeira comparação surgiu no próprio trabalho. Claudineto conta que um morador recém-chegado ao condomínio foi o primeiro a apontar a semelhança. “Ele chegou para mim e disse: ‘Já te falaram que você é parecido com o Ancelotti?’, relembrou.
No começo, ele não levou muito a sério. O porteiro diz que conhecia Ancelotti dos tempos de jogador, quando o italiano atuava ao lado de Van Basten e Gullit, no Milan, mas não acompanhava tanto sua carreira como técnico.
Afinal, é parecido ou não?
A chegada de Ancelotti à seleção mudou tudo. Com o italiano mais presente no noticiário brasileiro, a comparação ficou mais frequente. “Depois, especialmente quando ele veio para o Brasil e assumiu a seleção brasileira, as semelhanças ficaram mais evidentes”, disse.
Hoje, ele admite que há traços parecidos. Claudineto não se considera idêntico ao treinador, mas reconhece características em comum. O condomínio entrou na brincadeira. Segundo o porteiro, moradores passaram a tratá-lo como uma espécie de “Ancelotti de Curitiba”.
“Vejo algumas características parecidas: o cabelo, o formato da sobrancelha, o formato do rosto e também o corpo. Não tem uma pessoa que passe pela portaria e não pergunte como está a seleção brasileira, quem joga, quem não joga. Então virou essa brincadeira.” — Claudineto Melo da Silva
Até escalação ele passou a ouvir. Claudineto diz que os moradores costumam perguntar sobre quem deve jogar pelo Brasil. Às vezes, ele entra no clima e convoca até pessoas do próprio prédio. “A gente acaba entrando na brincadeira, escalando até os próprios moradores: ‘Olha, tal pessoa vai jogar com tal camisa’.”
A semelhança já foi notada até na fila do ônibus. Uma das situações mais curiosas aconteceu quando um jovem começou a encará-lo antes de embarcar. “Ele começou a me olhar da cabeça aos pés. Em certo momento, pediu licença e falou: ‘Boa tarde. Já te falaram que você é parecido com o Ancelotti?’ Eu respondi: ‘Olha, andam falando por aí’.”
Mascar chiclete também virou ‘marca registrada’
O chiclete reforçou ainda mais o personagem. Marca registrada de Ancelotti à beira do campo, o hábito também passou a fazer parte da rotina de Claudineto. Ele diz que não era adepto, mas começou a “pegar o jeito” do técnico italiano.
“Acabei descobrindo que o chiclete ajuda a pessoa a se concentrar e a pensar melhor.”
Para ele, a semelhança vai além da aparência. Claudineto diz enxergar em Ancelotti características que também reconhece em si mesmo, como calma e dedicação.
Aos 52 anos, o porteiro cursa Engenharia Ambiental e vê a própria rotina como exemplo dessa persistência. “Ele é uma pessoa insistente, persistente, que tem uma meta, um objetivo e um plano. Eu também tenho essa personalidade de ser insistente.”
Tem até dica…
Se um dia encontrasse o Ancelotti verdadeiro, Claudineto já sabe o que faria: daria um abraço, parabenizaria o treinador e deixaria uma dica para a seleção brasileira. A sugestão do “Ancelotti de Curitiba” seria preparar boas opções no banco de reservas para o segundo tempo.
“Falaria para ele preparar três ou quatro bons jogadores para serem utilizados no segundo tempo. Jogadores com velocidade, para momentos de necessidade, tanto para buscar uma recuperação quanto para ampliar o placar.”
Questionado sobre o que é mais difícil, comandar a seleção brasileira ou trabalhar na portaria, Claudineto não fugiu da comparação. Para ele, as duas funções exigem responsabilidade porque envolvem lidar com pessoas.
Mas a pressão sobre o técnico italiano, claro, é maior. “Na seleção, ele mexe com pessoas. Aqui, eu também mexo com pessoas. Mas a responsabilidade dele é muito maior, porque está dirigindo uma equipe de futebol, com jogadores valiosos, e representando uma nação, um povo que está torcendo por ele.”
No fim, o porteiro deixa claro que a brincadeira virou torcida. Mais do que sósia, Claudineto se considera um apoiador do treinador. “Eu torço pelo sucesso dele, pela dedicação dele, pelo projeto dele e pelo projeto do Brasil”, disse.
Fonte: UOL — ler a matéria completa no site de origem.


